sábado, 13 de março de 2010

ORFANDADE

A literatura é para mim uma tentativa de superação ou de convivência com a orfandade. Mais do que ser aceito por pessoas, quero aceitar minha condição precária. Claro que conforta ter um círculo de amigos, e é natural que tendo sido um leitor intenso de Dalton Trevisan eu sonhasse ser aceito por ele. E até tive um pequeno reconhecimento, principalmente quando desempenhei o papel de crítico literário. Mas isso se perdeu e acho que foi bom, pois pude ser quem eu sou. Quando li o conto-poema-acusação “Hiena Papuda” (Revista Idéias, janeiro de 2006), tive uma reação terrível – produzi uma resposta mais agressiva ainda. Depois vi que não precisava revidar, e que a única coisa a fazer era publicar o romance. Mesmo assim, levei uns três anos para me convencer disso.