segunda-feira, 15 de março de 2010

VIOLETAS - conto de Beto Nunes Filho

Sete anos o filho com paralisia cerebral esteve de cama. A mãe fazia de tudo. Banho no bacião de fundo de madeira. Remédio na hora certa. Comida e água na boca. Limpava a baba no canto dos lábios.
O lar sempre em desordem nesse tempo. O marido reclamando da poeira sobre os móveis e do ar embolorado da casa. A filha a implicar por causa da roupa encardida.
Morto o menino, ninguém encontrou lágrimas para chorá-lo. Apenas a mãe. Para consolá-la, o marido comprou alguns vasos de violeta - antiga paixão da mulher.
Levantava às cinco da manhã (horário da primeira dose de remédio que dava ao filho) e, antes de fazer o café, ia cuidar das violetas. A quem fornecia água e adubo. Muito adubo e muita água. Quatro vezes ao dia, sempre pontual.Uma após outra, as violetas apodreceram.